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domingo, 12 de setembro de 2010

BAIRRO DA ZONA NORTE DE NATAL NÃO TEM LINHA DE ÔNIBUS

Leningrado não tem serviços básicos

As casas populares, nos mesmos padrões do antigo BNH, já foram entregues pelo município. O calçamento de paralelepípedo, a rede de energia e o abastecimento d’água também. Os moradores já receberam da prefeita os títulos de propriedade. Tudo poderia estar perfeito para as 400 famílias que vivem no conjunto habitacional do Leningrado, na Zona Oeste de Natal, se a ex-ocupação, localizada depois do bairro Planalto, tivesse pelo menos uma linha de ônibus, uma escola para as crianças e adolescentes e um posto de saúde.

Rodrigo SenaMoradores precisam caminhar longas distâncias por causa da ausência de transporte públicoMoradores precisam caminhar longas distâncias por causa da ausência de transporte público

Depois que o Movimento de Luta dos Bairros (MLB) interditou a frente da prefeitura, em agosto último, pedindo providências para o Leningrado, os moradores ainda esperam por uma resposta. “Vamos parar o trânsito na Ulisses Caldas quantas vezes for preciso até que resolvam nos ouvir”, promete uma das moradoras do bairro, Rosinete Ferreira da Silva ou Dona Rosa, como é mais conhecida.
Aos 68 anos, dona Rosa é a vice presidente do MLB, movimento com inspiração de esquerda que conseguiu transformar a ex-favela no Leningrado num lugar quase decente para se viver.
Ela explica que as crianças e idosos do bairro são os que mais sofrem com a falta de transporte urbano. Na prática, esse público tem que andar dois quilômetros para chegar até à escola municipal mais próxima – a Emanuel Bezerra - e metade disso para o terminal de ônibus das redondezas, localizado no começo do bairro Planalto, que entrou na mira da construção civil com investimentos habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida”.
O Leningrado é um evento recente na urbanização da cidade. A ocupação, que começou nos primeiros anos da década, atraiu gente de todos os recantos de Natal – da Favela do Fio, de Mãe Luiza, da favela do Detran, do Alagamar, em Ponta Negra, e de Neópolis.
A própria dona Rosa, que tinha uma casinha há anos em Lagoa Nova, achou por bem entregar o imóvel aos filhos para ela própria encontrar um pouco de paz e tranquilidade na então ocupação do Leningrado. O aposentado José Luciano, companheiro de dona Rosa diz que a falta de planejamento das ocupações é um problema exclusivo do poder público.
“Como se pode ver, as casinhas aqui apresentam melhorias, mas os moradores sofrem muito nos dias de chuva e de calor, andando quilômetros para levar os filhos na escola ou quando precisam de atendimento médico”, diz Luciano.
É o caso de Odete Feliciano Domingos da Silva, de 60 anos, hipertensa e portadora de alguns problemas de saúde. No dia 7 de setembro ela conseguiu acompanhar o desfile do filho, policial militar, mas precisou da ajuda de terceiros para retornar por causa da artrite, que limita os movimentos.
A falta de segurança no Leningrado é outro problema que tira o sono dos moradores. “Os arrombamentos têm aumentado um bocado por aqui”, conta o autônomo Cícero Cordeiro de Andrade.
“Chegamos a propor a arrecadação de R$ 5,00 por mês de cada morador para pagar uma ronda, mas apenas 60 famílias aderiram”, diz ele. No ano passado, um homicídio aumentou a sensação de insegurança na comunidade, que começou a temer pela segurança de seus filhos na volta para casa à noite. A maioria das famílias sobrevive da coleta de lixo reciclável. Nos limites do conjunto habitacional é possível ver caminhões descarregando descartes ao lado de instalações da Assembléia de Deus, que chegou com a igreja e a creche antes que a primeira rua ganhasse pavimentação.fonte:tribunadonorte

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