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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Acordo de leniência proposto por Vaccari e Dirceu é “atestado de óbito” do PT, diz Rogério

ROGERIO MARINHOO ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, sugeriram a correligionários que o PT faça um acordo de “leniência partidária”. Segundo relatos de pessoas que estiveram com os petistas no último mês, a ideia teria surgido do próprio Dirceu e foi apresentada ao menos a dois deputados do partido e a dois advogados.

De acordo com a Folha de São Paulo, a proposta seguiria o modelo de leniência feito por empresas, em que elas assumem crimes e são condenadas a pagar multas. Em troca, mantêm a possibilidade de fazer contratos com o governo e seus executivos podem aderir ao acordo, com diminuição de pena ou até perdão judicial. A maior diferença entre leniência e delação é que a primeira é feita com empresas, e a segunda, com pessoas físicas.

Para o deputado federal Rogério Marinho (PSDB), apenas a possibilidade de um acordo de leniência com o PT por si só já é um “atestado de óbito” do partido. “Uma sigla que se estabeleceu e foi fundada sob o modelo da ética e da moralidade, mas que, no momento em que alcança o poder, fez justamente o contrário do que pregava. Nunca se viu na história do país tanto aparelhamento, patrimonialismo e corrupção institucionalizada em nome de um partido político. O PT inovou, passou a fazer os processos em nome de um projeto de perpetuação de poder”, explicou.

A proposta, ainda incipiente, teria o objetivo de incluir não só o PT, mas todas as siglas comprometidas na Lava Jato. A ideia é que a negociação seja comandada pela presidência da cada partido, que faria um relatório com informações reveladas aos procuradores, inclusive com fatos ditos por Dirceu e Vaccari. Dessa forma, em troca de pagar multas e assumir os erros, os políticos envolvidos nos crimes receberiam benefício, como redução de penas.

O parlamentar ressaltou que, caso seja verídica a manifestação, fica clara a concordância de Vaccari e Dirceu com o que está sendo dito contra eles. “Significa, então, que eles realmente se utilizaram dos seus respectivos cargos – um como tesoureiro do PT e o outro como chefe da Casa Civil de Lula – para praticarem assalto aos cofres públicos”, disse.

Desde que surgiram as acusações contra o partido no esquema de corrupção da Petrobras, esta é a primeira vez que petistas cogitam a possibilidade do partido assumir delitos e fazer uma espécie de autocrítica. Até então, o PT negava todas as irregularidades. Segundo o jornal, a leniência também pode ser um meio do partido evitar que seja inviabilizado por dívidas, caso se torne alvo de novos processos.

Ainda na avaliação do deputado, a proposta sugerida por Dirceu e Vaccari é “séria”, “grave” e tem de ter sua veracidade comprovada. “Agora, se for mais uma malandragem, uma forma de tentar diminuir suas penas sem dizer efetivamente nada de substancial, espero que a Justiça não aceite procrastinações e que ambos possam cumprir suas respectivas penas e pagar à sociedade todo o mal que foi feito em nome de um partido político e de um projeto de perpetuação no poder”, concluiu.

Sem espaço

Procuradores da Operação Lava Jato questionados pela Folha sobre a possibilidade de acordos de leniência serem negociados com partidos políticos afirmaram “não haver espaço para isso”. Hoje, a avaliação do Ministério Público Federal (MPF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) é que nomes como do ex-tesoureiro e do ex-ministro têm mais serventia à operação como exemplos do que como colaboradores.

Os investigadores também defendem que não há espaço para anistia ou benefícios de redução de pena dos dois envolvidos nas investigações, principalmente por não existir “clima político para isso”.

Fonte: Site PSDB

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